“É evidente que o movimento sindical não pode ficar inerte”, afirmou o presidente do SINPOSPETRO-CE

A Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de combustíveis e Derivados de Petróleo realizou uma série de entrevistas com os presidentes de todos os sindicatos da categoria no Brasil. Confira a entrevista do presidente Ardilis Arrais.

Dando seguimento à série de entrevistas com os representantes dos sindicatos filiados à Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Fenepospetro), conversamos nesta semana com o presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (SINPOSPETRO-CE), Ardilis Arrais.

(Fenepospetro) Quantos anos tem o Sinpospetro-CE? Nesses anos, como foi a atuação e crescimento do sindicato?

(Ardilis) O SINPOSPETRO-CE completa 13 anos de existência agora em dezembro. Ao longo desses anos, tivemos evolução em termos de Convenção Coletiva do Trabalho (CCT). O estado do Ceará deixou de ter uma das piores CCTs da categoria do país para ter uma das melhores. Por exemplo, nas regiões Norte e Nordeste somos o único estado que possui vale refeição conjuntamente com cesta básica. Conquistamos, ainda, outros benefícios como seguro de vida, hora extra 80%, dentre outros.

Com relação a atuação na base, o sindicato tem desenvolvido um trabalho de fiscalização muito grande para se fazer cumprir as conquistas da CCT, dada a cultura de coronelismo que impera ainda no interior do nosso estado e também com resquícios na capital. É um trabalho muito complicado, diversos diretores de nossa entidade já receberam ameaças, mas o sindicato vem obtendo sucessos.

No ano de 2017 movimentamos diversas ações coletivas de trabalho, processando postos que não cumpriam o acordado. Movimentamos na Justiça do Trabalho cerca de R$2,5 milhões que foram devidamente cobrado nessas ações e repassados para os trabalhadores. Tivemos também uma movimentação muito grande em ações individuais.

O SINPOSPETRO-CE vem lutando, fiscalizando a sua base e fazendo cumprir a CCT. Investimos em um sistema próprio de fiscalização para que elas sejam mais efetivas: hoje essas fiscalizações são feitas através de tablet via internet em todo o estado do Ceará.

(F) Muitos trabalhadores e trabalhadoras são filiados à entidade atualmente?

(A) Nossa categoria tem em média 10 mil trabalhadores e trabalhadoras no estado do Ceará e temos em torno de 2.500 filiados devido à grande rotatividade, principalmente neste último ano por conta da crise econômica.

(F) Na atual conjuntura de vigência de reforma trabalhista quais são os principais desafios encontrados pelo Sinpospetro-CE? E quais são os projetos e ações o sindicato vem adotando após a reforma?

(A) Com o advindo da Reforma Trabalhista nosso principal desafio é manter os direitos conquistados nestes últimos 13 anos, uma vez que o sindicato patronal quer retirar todos os direitos e começar uma negociação do zero. A manutenção desses direitos tem sido o principal desafio do sindicato. Claro que queremos também avançar, trazendo melhores condições para os trabalhadores. Queremos, ainda, intensificar a fiscalização e manter a estrutura que temos hoje para que possamos realizar de forma plena nosso trabalho.

Estamos promovendo alguns projetos de conscientização dos trabalhadores, de aproximá-los à entidade sindical e inserir a consciência de classe no cotidiano deles. Somente assim conseguiremos trazer os trabalhadores para perto, somando junto à nossa diretoria e fortalecendo a categoria. Nós entendemos que o movimento sindical e a esquerda nos últimos anos perderam muito o viés de formar novas lideranças e isso precisa ser revertido.

As ações e projetos propostos pelo SINPOSPETRO-CE  são voltados para a conscientização do trabalhador, pela manutenção das conquistas, pela obtenção de novas conquistas e  para que seja garantido o cumprimento de todos os direitos acordados em CCT.

E é evidente que o movimento sindical não pode ficar inerte. Por isso, estamos criando um projeto político dos trabalhadores para que possamos mudar o panorama da política nacional inserindo representantes dos trabalhadores no Congresso Nacional e em todas as instâncias da política.

*Assessoria de imprensa Fenepospetro.



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